Ações responsáveis e irresponsáveis


É preciso nos conscientizar que todas nossas ações impactam de alguma forma no motociclismo.

Como é a sua?

Tudo que praticamos como motociclistas nos afeta de forma bem mais profunda que a maioria acredita. A maneira como nos portamos frente a outras pessoas reflete nosso conhecimento, preparo, bem como nossas faltas e despreparo. Cabe-nos identificar que tipos de imagem estão passando para a sociedade e que impacto essa imagem terá em nosso desenvolvimento e futuro.

Uma atitude agressiva no trânsito, excesso de velocidade em ambientes impróprios, causam efeitos catastróficos para todos nós. O “moto-boy” que chuta o espelho de um carro no corredor porque esse não lhe deixou passagem livre, me afeta e também a você, porque passa a imagem de que todos nos comportamos dessa maneira impróprias.

Vende à sociedade uma imagem de rebeldia e insensatez que de fato não é correta, mas irá nos afetar a todos em diferentes níveis. Sinto na pele a crescente discriminação por conta da ação infeliz de uma minoria. Os bandidos, por exemplo, que vêem na moto o veículo ideal para cometer seus delitos e fugir, remete à sociedade uma visão de que todos que portam um capacete são bandidos. Os jornais publicam manchetes em primeira página com letras garrafais: “MOTOQUEIROS ASSASSINAM DELEGADO NA PORTA DE CASA”. Essa é a imagem que acaba registrada por boa parte da sociedade. Se eu for a um banco trajando paletó e gravata, serei tratado com toda a cordialidade estendida a um empresário, mas se me aproximar da porta giratória portando capacete e jaqueta motociclística, terei que me despir quase por completo para poder entrar. Se, ainda, estivesse morando no interior de um estado nordestino, poderia até ser preso pelo uso do capacete, que na visão deturpada de um juiz, proibiu na cidade o uso do equipamento de segurança que eventualmente pode me salvar a vida. Tudo porque uma parcela de nós utiliza a moto de maneira indevida, inapropriada e abusiva.

racha

Adoro as motos esportivas. É onde me sinto confortável e pleno. Era ótimo poder vestir meu macacão e sair pelas estradas notando a admiração e certa inveja dos que comigo cruzavam. Atualmente me sinto constrangido por conta de um episódio lamentável ocorrido em São Paulo. Um grupo de motociclistas dessa categoria se envolveu, por imprudência, em um acidente que causou a morte de um pai de família, que estava tão somente cumprindo seu dever. A repercussão agora afeta a todos, porque aos olhos da sociedade somos todos irresponsáveis que ceifam vidas gratuitamente. E não para por aí não é apenas a questão da imagem, mas o impacto que essas ações têm em outros âmbitos também.

Veja o seguro, por exemplo: o que paga para ter seu bem protegido tem seu valor calculado levando em consideração diversos fatores – acredita mesmo que ações irresponsáveis como essa ou a postagem de vídeos no youtube acelerando as motos nas estradas a 299 km/h, não afetam esse valor? Ou então “rachas” documentados em vídeo, fornecendo incontáveis razões para sermos todos classificados como “bandidos”?

Até mesmo ações como a compra de peças de reposição de procedência duvidosa, tem seu impacto nesses cálculos, porque se entende que dessa forma estaríamos alimentando a indústria do roubo, e por consequência nos colocando na mira desses mesmos bandidos. Amanhã sua moto pode ser levada para suprir de peças o mercado paralelo.

Ou será que acredita que somente a moto dos outros que é roubada? E em Papai Noel, acredita?

A questão do seguro é apenas uma das facetas. Olhe a sua volta e veja como interage com o mundo, enquanto motociclista. Todos nossos gestos, a ação que tomamos, as palavras que proferimos e até o que pensamos, afeta nosso mundo de liberdade e confraternidade.

Precisamos, mais do que nunca, prestar muita atenção à tudo que pode afetar esse nosso meio, que tanto amamos e desejamos. Não permita que atitudes impensadas dominem sua rotina, amanhã estaremos todos padecendo das consequências.

O exemplo ainda é o maior fator de aprendizagem, desde os primórdios o ser humano aprendeu através dos exemplos, os bons, e os ruins, aprendeu com os mais velhos a arte de caça, defesa e tudo que era necessário a sua sobrevivência.

No motociclismo não é diferente, os mais experientes devem mostrar aos mais novos, tudo que lhe permita “sobreviver” no trânsito e em cima de uma motocicleta, apesar da mídia utilizar os motociclistas sempre com manchetes, nós, todos nós, devemos através do exemplo, mostrar que na realidade é diferente, a motocicleta e sua liberdade nos permite exercer a felicidade de ir e vir na sua plenitude.

A vida em primeiro lugar

Pilote sempre equipado

E plagiando uma célebre frase: Não pergunte o que a moto pode fazer por você, mas o que você pode fazer pelo motociclismo!

Viva, seja feliz e provoque felicidades, fazer o bem faz bem.

Fonte: Performance Professional Riding

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